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Estudo inédito de pesquisadores do ON aponta restrições para os modelos de formação de planetas a partir de discos de poeira

Publicado: Quinta, 15 de Agosto de 2019, 18h48 | Última atualização em Quinta, 15 de Agosto de 2019, 19h21

Quando nosso Sistema Solar foi formado, há 4,5 bilhões de anos, a partir de uma nuvem interestelar, o Sol tinha, ao seu redor, um disco plano feito de gás e de poeira. Foi a partir deste disco protoplanetário que se formaram todos os planetas, como Terra e Júpiter. Este processo é o mesmo que acontece na formação dos chamados exoplanetas – planetas que orbitam outras estrelas de nossa Galáxia.

“É interessante notar que esta nuvem já continha elementos pesados como carbono, ferro e outros. Estes elementos pesados são chamados, no jargão astronômico, de metais e a sua abundância é medida através da metalicidade. Estes metais presentes na nuvem passaram a fazer parte da superfície da estrela, dos planetas e do disco”, explica o pesquisador Ramiro de la Reza, que participou do trabalho. Até agora, os cientistas sabiam que a existência de exoplanetas estava associada a altas metalicidades estelares, mas não sabiam se o mesmo acontecia com estrelas que tivessem ao seu redor discos de poeira protoplanetários.

Um recente e pioneiro trabalho desenvolvido por pesquisadores do Observatório Nacional, que acaba de ser publicado na edição impressa da revista inglesa Monthly Notices of Royal Academy of Science, mostra que a massa de um disco de poeira em volta de uma estrela de tipo solar está diretamente relacionada à metalicidade dessa estrela. Com esta informação, é possível estabelecer mais claramente quais são as exigências de metalicidade e de massas para estes discos formarem planetas.

“A metalicidade presente na Terra permitiu o surgimento da vida. É interessante notar que a abundância de ferro na Terra garante a qualidade do nosso sangue, pois com um pouco menos seríamos todos anêmicos, e com um pouco mais, o sangue seria tóxico. Também é graças ao ferro que o homem conseguiu fabricar o aço, material fundamental para construir nossa civilização. Em resumo, este trabalho estabelece parâmetros para ajudar a estimar o número de civilizações que poderiam existir em nossa Galáxia”, revela o pesquisador Ramiro de la Reza.

O artigo completo está disponível na revista inglesa Monthly Notices of Royal Academy of Science.  

 

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