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Equipe do Laboratório Nacional de Astrofísica recupera a centenária Luneta de 46cm do Observatório Nacional

Publicado: Quarta, 05 de Fevereiro de 2020, 19h19 | Última atualização em Quarta, 05 de Fevereiro de 2020, 19h20

Em 2019, a equipe técnica do Observatório Pico dos Dias, do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), esteve no Observatório Nacional para realizar a manutenção da centenária Luneta 46 e de sua cúpula. Com o trabalho dos colaboradores Saulo GargagIioni, Adriano Messala Coimbra, Carlos Roberto Silva, Cledson Pereira dos Santos e Jhonatan Ponciano Trinca, a Luneta voltou a ser utilizada para atividades de divulgação da ciência e na formação de pesquisadores para astronomia observacional. Os trabalhos de reparo do instrumento começaram ainda no OPD, em junho, quando o ON enviou o motor da cúpula e o sistema do acompanhamento sideral da Luneta 46, que foram corrigidos na sede do OPD, em Brazópolis, Minas Gerais.

Nos dias 2 e 3 de julho, o grupo do OPD veio ao campus do ON e instalou o motor da cúpula, fez a manutenção e limpeza dos trilhos e das roldanas que giram a cúpula, e também das fases elétricas instaladas no pilar da Luneta. Nesta ocasião, a equipe modernizou o sistema de acompanhamento sideral, que era de difícil manutenção e ajuste. Agora, o sistema é programado via software e os ajustes no acompanhamento, se forem necessários, podem ser executados remotamente pela equipe do LNA.

Reestreia

Com a primeira fase do trabalho, já foi possível utilizar a Luneta para observar o céu. A reestreia foi em grande estilo: a observação aconteceu no evento comemorativo aos 50 anos da chegada do ser humano à Lua: Partiu Apollo 11. No último dia 20 de julho, centenas de pessoas vieram ao campus do ON e puderam ver Júpiter pela histórica Luneta 46.

“Foi um momento marcante para nós! A Luneta já teve grande importância científica, compõe a memória do Observatório Nacional e é sempre muito atraente ao público. As pessoas ficam fascinadas pelo instrumento e, neste dia, puderam vê-lo em operação. O trabalho do LNA possibilitou ao ON iniciar um novo ciclo de atividades de popularização da ciência utilizando este lindo e importante instrumento”, comemora Alba Lívia Tallon Bozi, chefe da Divisão de Atividades Educacionais do ON, área responsável pelas ações de divulgação da ciência.

A conclusão desta etapa permitiu a pesquisadores do ON, além de alunos de mestrado e doutorado em Astronomia, o contato com a astronomia observacional e contribuiu para a criação de um grupo voltado às atividades de observação do céu para o público.

“Já havia observado o céu antes em um telescópio menor, mas a oportunidade de olhar a lua, Júpiter e Saturno com a Luneta 46 foi muito emocionante. Como estudante de Física e com doutorado em Cosmologia, as observações sempre estiveram distantes, meu negócio eram contas no papel e programação no computador. Recentemente tive oportunidade de aprender a usar a Luneta, então a emoção é dobrada: eu aponto o astro no céu e o observo, é uma viagem até corpos celestes muito, muito, muito distantes, que ficam diante dos nossos olhos e nos permitem admirar sua beleza. Para quem é apaixonado pelo céu, admirá-lo com a Luneta 46 é gratificante”, conta Simony Costa, pesquisadora do Observatório Nacional.

Terceira fase

Na terceira etapa do trabalho de recuperação do instrumento, a equipe do LNA fez uma nova visita ao ON, de 14 a 18 de agosto, quando foram feitas novas modificações no motor da cúpula, trilhos, sistema elétrico e ajustes na parte operacional do instrumento para possibilitar o apontamento de objetos a partir das coordenadas celestes.

Para deixar a luneta ainda mais imponente do que ela já é, os técnicos do OPD realizaram limpeza e pintura na escala da declinação, bastante desgastada pelo tempo; limparam as lentes e oculares, possibilitando a melhor visualização dos objetos no céu; e fizeram a limpeza do pilar e o polimento completo do instrumento, que já havia sido encerado pelo técnico Carlos Nascimento, do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), a tempo para o evento Partiu Apollo 11, realizado em julho.

Sábados astronômicos

Além do trabalho técnico de recuperação do instrumento, a equipe do LNA também colaborou com o ciclo “Sábados Astronômicos”, no dia 17 de agosto, quando mais de 150 pessoas estiveram no campus e puderam observar Júpiter e Saturno pela luneta 46, com a mediação dos técnicos Adriano Messala Coimbra, Carlos Roberto Silva e Jhonatan Ponciano Trinca.

“Graças ao apoio do LNA conseguimos recuperar a Luneta 46, um legado da astronomia brasileira do século XX. É impressionante o interesse que esta luneta desperta no público que visita o campus. As pessoas fazem questão de ter no seu olho a luz direta dos planetas e das estrelas distantes. Foi emocionante ver os anéis de Saturno com tamanha definição”, relata o diretor do Observatório Nacional, João dos Anjos, referindo-se à observação realizada no último dia 17 de agosto.

A luneta também foi integrou a programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia realizada no campus, de 6 a 9 de novembro, mas o céu nublado não permitiu seu uso para observação. Para 2020, o ON pretende realizar mensalmente observações com este centenário instrumento, nos Sábados Astronômicos.

 

História da luneta 46

A Luneta 46 é o maior telescópio refrator do Brasil. Encomendado em 1911, o telescópio foi instalado no campus do ON em São Cristóvão somente em 1922 devido a diversas dificuldades enfrentadas na época. O telescópio tem 6,5 m de distância focal e é dotado de três lunetas. A principal possui lente objetiva de 45,72 cm de diâmetro, que rendeu a ela o nome pelo qual é conhecida: Luneta 46; a segunda, com objetiva de 24 cm, é a luneta guia das duas câmaras astrofotográficas, de 25 cm de diâmetro e 1,75m  de distância focal; a terceira, a luneta procuradora, tem objetiva de 10 cm de diâmetro.

A aquisição de um telescópio refrator de maior porte significou para o Observatório Nacional ampliar seus trabalhos. Um dos principais alvos da Luneta 46 foi a observação micrométrica de estrelas duplas, um projeto de cooperação com o Observatório de Joanesburgo (África do Sul), que o astrônomo Domingos Costa conduziu entre os anos 1924 e 1934. O uso da Luneta 46 para a pesquisa científica seguiu até a década de 1980. A partir dos anos de 1990, passou a ser utilizada nos programas de popularização da ciência organizados pelo Observatório Nacional.

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