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China se une ao levantamento astronômico J-PAS

Publicado: Sexta, 06 de Dezembro de 2019, 18h29 | Última atualização em Sexta, 06 de Dezembro de 2019, 18h33

Um grupo de seis universidades e centros de pesquisa chineses investirá 728 mil euros (R$ 3,3 milhões, aproximadamente) no projeto J-PAS (Javalambre Physics of the Accelerating Universe Astrophysical Survey), uma colaboração entre Brasil e Espanha liderada por um consórcio de quatro instituições científicas, do qual faz parte o Observatório Nacional.

O investimento chinês foi anunciado durante o encontro “O Universo em 56 cores: ciência com os primeiros dados do J-PAS” (The Universe in 56 colours: science with the first J-PAS data), realizado de 2 a 4 de dezembro, em Teruel, na Espanha. No encontro, também foram apresentados os primeiros resultados de observação do J-PAS, que, após mapear um grau quadrado do céu, identificou mais de 64 mil objetos, sendo 90% galáxias e o resto, estrelas do Halo da Via Láctea.

O J-PAS tem a finalidade de levar a cabo um levantamento astronômico que permitirá aprofundar os estudos sobre a expansão acelerada do universo, a natureza da energia escura, a formação e evolução de galáxias e aglomerados de galáxias, as propriedades das estrelas do Halo Galáctico, e a composição química de pequenos corpos do Sistema Solar. As observações são feitas através de dois telescópios, de 2,5 metros e 80 cm, respectivamente, instalados no Observatório Astrofísico de Javalambre, na Espanha. Essas observações servirão para traçar um mapa tridimensional preciso do Universo, graças à utilização de uma técnica inovadora que registra em 56 cores as imagens de centenas de milhões de galáxias e outros corpos celestes, como quasares, supernovas e estrelas.

O Observatório Nacional foi responsável pela construção da câmera detectora do telescópio principal, a segunda maior do mundo, que entrará em operação em março de 2020 e que foi financiada com recursos da FINEP e da FAPERJ. A câmera do telescópio menor, em operação desde novembro de 2015, também foi construída pelo Observatório Nacional.

Além do Observatório Nacional, o consórcio do J-PAS está constituído pela Fundação Centro de Estudos de Física do Cosmos de Aragon (CEFCA), pelo Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA/CSIC), e pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP).

A adesão da China ao projeto incorpora 27 novos pesquisadores que, junto com os mais de cem que já compõem a colaboração, poderão acessar em forma exclusiva às observações do J-PAS antes de serem liberadas ao público. Além disso, eles poderão participar de tomadas de decisão relacionadas à implantação e progresso do projeto. A negociação com as instituições chinesas foi concretizada pelo pesquisador Renato Dupke, do Observatório Nacional, junto ao seu colega o Dr. Jifeng Liu, do National Astronomical Observatory da China.

“Este projeto é um dos dois maiores projetos de astronomia ótica em que o Brasil participa como líder e agora estamos em um momento crucial, com grupos estrangeiros dispostos a aportar recursos econômicos para entrar na colaboração e poder acessar os nossos dados. É um grande passo num longo caminho que começamos há mais de 9 anos”, comenta Dupke. Ele também ressalta que os primeiros resultados apresentados em Teruel já superam expectativas, e que o sucesso do projeto tem sido possível, principalmente, graças à capacidade tecnológica da equipe da CEFCA.

Por sua vez, o diretor da CEFCA, Javier Cenarro Lagunas, destaca que o acordo com a China valoriza a qualidade do J-PAS e reflete a aceitação internacional que o projeto está alcançando, mesmo tendo apenas começado. Há dois anos, o Observatório de Tartu, na Estônia, também aderiu ao projeto com uma importante contribuição econômica.

O dinheiro aportado pelas instituições chinesas ficará sob a administração da Fundação CEFCA e será totalmente revertido no J-PAS, principalmente para a contratação de pesquisadores e a manutenção da infraestrutura do projeto.

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