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Mapeamento do céu coliderado pelo Observatório Nacional libera os primeiros dados científicos

Publicado: Sexta, 06 de Dezembro de 2019, 18h20 | Última atualização em Segunda, 09 de Dezembro de 2019, 15h33

O projeto J-PAS (Javalambre Physics of the Accelerating Universe Astrophysical Survey), uma colaboração entre Brasil e Espanha liderada por um consórcio de quatro instituições científicas do qual o Observatório Nacional faz parte, divulgou esta semana os seus primeiros dados. Os resultados foram apresentados durante o encontro “O Universo em 56 cores: ciência com os primeiros dados do J-PAS” (The Universe in 56 colours: science with the first J-PAS data), realizado de 2 a 4 de dezembro, em Teruel, na Espanha. A reunião contou com a participação de 76 pesquisadores de diversas instituições que apresentaram as análises das observações realizadas até o momento pelo projeto.

O J-PAS é um levantamento astronômico que busca aprofundar os estudos sobre a expansão acelerada do universo, a natureza da energia escura, a formação e evolução de galáxias e aglomerados de galáxias, as propriedades das estrelas do Halo Galáctico, e a composição química de pequenos corpos do Sistema Solar.  Os dados apresentados no encontro em Teruel foram coletados no telescópio JST/T250, instalado no Observatório Astrofísico de Javalambre, na Espanha. Este telescópio de 2,5 metros de diâmetro possui um grande campo de visão e utiliza uma técnica inovadora para registrar em 56 cores as imagens de centenas de milhões de galáxias e outros corpos celestes, como quasares, supernovas e estrelas.

Estas primeiras observações foram obtidas utilizando-se a câmera JPAS-Pathfinder (JPAS-PF), que possui um detector CCD (Coupled Charge Device) de última geração, com tamanho de 9.200 x 9.200 pixels, e oferece um campo de visão de 0,5 x 0,5 graus quadrados (equivalente ao tamanho da Lua cheia no céu). A JPAS-PF mapeou, ao total, um grau quadrado do céu, na região conhecida como “Faixa de Groth”, utilizando todos os 56 filtros de J-PAS. As observações coletadas foram denominadas de mini-J-PAS, e foram planejadas como “prova de conceito” para a metodologia do levantamento.

O mini-J-PAS identificou mais de 64 mil objetos, sendo 90% galáxias e o restante, estrelas do Halo da Via Láctea. O pesquisador do Observatório Nacional Renato Dupke, que esteve no evento em Teruel, ressalta que os resultados obtidos já superam expectativas: “Apesar de mapear uma pequena área conhecida do céu, temos novas informações com dados que não tínhamos antes”.

Ao total, o J-PAS deverá mapear 8.500 graus quadrados do céu do hemisfério Norte com o telescópio JST/T250, auxiliado por um telescópio menor, o JAST/T80, de 80 cm de diâmetro, também instalado no Observatório de Javalambre. O JST/T250 terá acoplada uma câmera imageadora, a JPCam, que combina um mosaico de 14 detectores CCD de 9.200 x 9.200 pixels cada um, juntamente com um conjunto de 54 filtros em bandas fotométricas estreitas e 2 filtros em bandas fotométricas intermediárias, que cobrem todo o espectro óptico, além de mais 3 filtros ópticos de banda larga. Isto permitirá realizar uma análise foto-espectroscópica exaustiva de um grande número de objetos celestes, possibilitando traçar um mapa tridimensional preciso do Universo.

Além do Observatório Nacional, o consórcio do J-PAS está constituído pela Fundação Centro de Estudos de Física do Cosmos de Aragon (CEFCA), pelo Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA/CSIC) e pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP). O Observatório Nacional foi o responsável pela construção da câmera JPCam, a segunda maior do mundo em seu tipo, que entrará em operação em março de 2020 e que foi financiada com recursos do próprio ON, da FINEP e da FAPERJ. A câmera do JAST/T80, em operação desde novembro de 2015, também foi construída pelo Observatório Nacional.

Também durante o evento em Teruel foi anunciada a adesão ao J-PAS de um grupo de universidades e institutos de pesquisa da China, que investirão 800 mil dólares (R$ 3,3 milhões, aproximadamente) para a incorporação ao projeto de 27 novos pesquisadores. Junto com os mais de cem que já integram a colaboração, os pesquisadores chineses poderão acessar em forma exclusiva as observações do J-PAS antes de serem liberadas ao público.

O pesquisador Renato Dupke, um dos responsáveis pela negociação com o grupo chinês, destaca a relevância que o J-PAS tem para o Brasil: “Este é um dos dois maiores projetos de astronomia óptica em que o Brasil participa como líder e agora estamos em um momento crucial, com grupos estrangeiros dispostos a aportar recursos econômicos para entrar na colaboração e poder acessar os nossos dados. É um grande passo num longo caminho que começamos há mais de 9 anos, quando iniciamos os primeiros testes para construir os CCDs das câmeras”.

Os dados do mini-J-PAS estão disponíveis para os membros da colaboração no portal https://j-pas.org/datareleases/minijpas_public_data_release_pdr201912.

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